terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Será que meu filho tem fobia escolar?

Dra. Ana Beatriz Silva e Dra. Cecília Gross

Fobia escolar é um medo exacerbado que a criança sente em ir para a escola. Ela se revela primeiramente com a recusa da criança em se deslocar para o ambiente escolar, inventando desculpas, o que culmina por evitá-lo. Como a própria criança ainda não sabe que está com medo, geralmente, o quadro se manifesta com mal-estar, podendo apresentar vômitos, dor de cabeça, dor de estômago, náuseas e tonturas na sala de aula. Muitas vezes, esses sintomas podem iniciar antes mesmo da criança sair de casa.Na escola, é muito comum que ela se afaste dos coleguinhas, já que se sente muito mal lá dentro. É importante observar que, se estes sintomas se manifestam apenas um dia ou outro pode, de fato, tratar-se de um mal físico. No caso de crianças que vomitam ao despertarem, ficam pálidas ou sentem suor frio, podemos pensar na possibilidade de outros problemas, que não tem nada a ver com a fobia escolar, muito embora os sintomas físicos sejam muito parecidos. Por isso, é sempre bom investigar!Na fobia escolar, a criança foca o assunto da escola sempre com medo, negativismo e pode chorar para não ir. Fobia escolar é um transtorno de ansiedade e tem tratamento.É essencial que a equipe da escola saiba o que está acontecendo, pois, muitas vezes, uma figura de confiança do aluno deve acompanhá-lo e permanecer por um determinado período no ambiente escolar, até que ele desenvolva autoconfiança. Os próprios coordenadores podem, por vezes, desempenhar este papel, ao ficarem mais próximos deste aluno, encorajando-o a ponto de se sentir bem na sala de aula.A fobia escolar cursa também com o que chamamos de ansiedade de separação (outro transtorno que também acomete crianças), que se configura no medo de se separar dos pais ou pessoas de importante vínculo, em preocupações constantes de que algo de ruim possa lhes acontecer ou até mesmo no medo de perdê-los. Via de regra, crianças que apresentam também ansiedade de separação, além do medo de irem para a escola, têm dificuldades em dormir sozinhas, medo de ir para casa de amigos, entre outras relutâncias em se distanciar das pessoas com as quais passa a maior parte do tempo.Assim, uma maneira da criança ficar menos insegura em se separar dos pais, é oferecer o máximo de sinceridade possível a ela, ou seja, desejar e demonstrar, de fato, que estão felizes ao seu lado, enquanto há tempo disponível para isso. Duplas mensagens por parte dos pais fazem com que a criança fique insegura, já que ela perde a referência com quem e com o que exatamente pode contar. É essa insegurança que a deixa mais "grudenta" e chorosa, pois ela passa a ter um sentimento de que pode ser abandonada a qualquer instante, o que traz grande sofrimento.No momento de ir para escola os pais devem ser firmes, mas respeitar a limitação de seus filhos, pois para eles já é muito difícil estar com estes transtornos.Crianças com fracassos escolares ou com transtorno de aprendizado, mas que são disciplinadas, podem também desenvolver fobia escolar, pois não querem expor os seus insucessos (aliás, como a maioria dos seres humanos). Nestes casos, vale a pena investigar a causa do fracasso escolar, por meio de profissionais especializados na área.
Fonte: psicologia Virtual

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Vale a pena mudar de escola?

Ana Cássia Maturano

Nesta época do ano muitos pais têm vivido o conflito de mudar ou não seus filhos de escola. Qual é a melhor escola para seu filho estudar? E quando optar pela mudança? A princípio, mudar uma criança de escola é algo que deve ser evitado. A situação é delicada, os prós e contras devem ser pesados. Nesse ambiente, a criança faz vínculos importantes e eles só serão consistentes se forem mantidos por um tempo. O grupo que a criança formará na escola servirá como suporte para os novos desafios, inclusive os da aprendizagem. Se ficar mudando sempre de instituição, ela terá menos chance de ter um grupo com essa característica. Além do mais, não é conveniente ficar trocando a linha pedagógica. Há momentos em que é necessário que a criança vá para outra instituição, como na passagem da pré-escola para o primeiro ano. Existem ainda situações em que a mudança é um modo de resolver um problema que o aluno possa estar enfrentando. Tomemos como exemplo o fato de a criança não conseguir ser promovida para a série posterior. Algumas famílias consideram que o melhor é que ela mude de escola para evitar constrangimento entre os colegas. Cada caso é um e deve ser considerado na sua especificidade. Mas, de modo geral, esse não é um bom motivo para a troca de instituição. Os pequenos também devem ser preparados para enfrentar as adversidades. Tirando-os da situação da repetência, sinalizamos que não há problema em fugir dos obstáculos. Há casos em que o melhor é partir para outroscaminhos. Talvez uma escola que tenha um perfil diferente, com linha pedagógica à qual a criança possa se adaptar melhor, contribua para seu desenvolvimento escolar. Nem todas as escolas são adequadas para todos. Algumas vezes, a visão que a instituição tem do aluno é muito negativa. Tudo o que acontece é por culpa dele. Numa situação assim, a troca de colégio pode representar a mudança de visão que a criança vai ter dela própria, pode melhorar sua auto-imagem. Afinal, o que pensamos que somos tem a ver com o que o outro diz sobre nós. Mudar não é a cura sempre Em todos os casos comentados e em muitos outros que conhecemos, mudar de instituição de ensino pode ser interessante. Mas ninguém imagine que a troca será a cura de todos os males. Tudo dependerá de uma atitude do aluno e da própria família de entrar na nova instituição de coração aberto. Caso contrário, cairemos na idéia de que sempre o outro é culpado pelos nossos infortúnios. Só que não é bem assim. Isso faz pensar na expectativa que temos com relação ao ano novo. Sempre que ele inicia temos a idéia de que será diferente. Os dias continuam um atrás do outro. A verdadeira mudança tem que partir de nós mesmos. Semana que vem, falaremos sobre a escolha da escola.
Fonte: G1

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dislexia

A escritora Agatha Christie costumava ditar suas histórias para uma secretária. O físico Albert Einstein só foi alfabetizado aos nove anos. O que eles têm em comum? Ambos sofriam de dislexia, um transtorno de aprendizagem na área de leitura, escrita e soletração. Esse problema atinge entre 5 e 17% da população mundial e é o distúrbio de maior incidência em sala de aula, segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD).O disléxico tem dificuldade para fazer a relação entre os sons e sua representação visual, discernindo letras, sílabas e palavras. Com isso, escrever, ler, soletrar e compreender a escrita são tarefas árduas para eles, que acabam muitas vezes sendo tratados como incapazes ou preguiçosos. Trata-se de um grande engano, pois o problema nada tem a ver com má alfabetização, desatenção ou pouca inteligência. Também não é considerado doença, mas um transtorno que necessita de métodos diferentes de aprendizado."A dislexia não está relacionada à inteligência. Pelo contrário, os disléxicos apresentam inteligência normal ou, como ocorre muitas vezes, até mesmo acima da média", explica a fonoaudióloga e coordenadora técnica da ABD, Maria Ângela Nogueira Nico.Hoje já se sabe que o distúrbio depende de uma condição hereditária, que apresenta alterações genéticas até mesmo no padrão neurológico. Segundo Maria Ângela, pesquisas recentes apontam que o problema estaria ligado a determinados cromossomos, responsáveis pela associação da representação visual das sílabas aos seus sons. "Isso explica também a hereditariedade do problema", afirma a fonoaudióloga.Colaborou Maria Ângela Nogueira Nico, fonoaudióloga, psicopedagoga clínica e coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia.

Fonte: Na hora On Line

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Corpo de criança, mas problemas e agenda de adulto

Escola pela manhã, inglês cinco vezes na semana, balé na terça e na quinta, e jazz às quartas e sextas. Para quem pensa que a elétrica Manuela Pessoa, 13 anos, tinha uma folguinha no sábado... Maratona de Química pela manhã e aulas de catecismo e crisma à tarde. A agenda, que nem de longe inveja a de muitos adultos atarefadíssimos, exigiu da adolescente uma tomada de decisão. “Era preciso desacelerar, antes que algo mais grave pudesse acontecer”, reconhece ela. Manu, como gosta de ser chamada, refere-se à distensão numa das coxas e à inflamação nos joelhos.“Também me sentia cansada e com pouco tempo para me divertir”, conta, deixando claro que as escolhas feitas foram próprias e não por exigência dos pais. Jácer, a mãe, diz que a filha se cobra muito e que, por isso, quer dar o melhor de si em tudo o que faz. “Aqui, em casa, estamos sempre buscando o equilíbrio”, afirmando também ter sido a hora certa de Manu diminuir a sobrecarga de atividades. O perfeccionismo é comum ao colega Efízio Alves Rolim Neto, 13, que diz não aceitar ser menos do que juiz na vida. “Às vezes, até peço para ele relaxar. Em vez do computador, conversar mais com os colegas”, fala a mãe, Eloíza.Mas nem todos os pais pensam como Jácer e Eloíza. De acordo com a psicóloga Alessandra Silva Xavier, muitas famílias querem antecipar a profissionalização na vida dos filhos. Nesse contexto, observa a também psicóloga Andréa Carla Filgueiras Cordeiro, duas questões caminham entrelaçadas: o desejo da família de uma educação diferenciada para tornar os filhos competitivos e uma realidade familiar em que os pais trabalham muito, não podem acompanhar os filhos de perto e acabam optando por uma formação mais integral.“Eles (os pais) acham que quanto mais cedo o menino dominar três línguas estrangeiras, ser um Einstein na Física e um Pitágoras na Matemática, vai conseguir logo sucesso profissional”, avalia Alessandra. No entanto, muitas crianças estão pagando um preço alto na busca dessa perfeição. Dependendo do estresse, da alimentação, das relações familiares, entre outros condicionantes, gastrite, alergia, hipertensão, diabetes, problemas posturais, transtornos alimentares e depressão são algumas das graves conseqüências presentes e futuras elencadas pela especialista.“Cerca de 70% dos casos que chegam aos consultórios de Psicologia têm alguma relação com a sobrecarga de atividades”. Alessandra adverte que outras habilidades devem ser construídas, como a capacidade de tolerar frustrações e a construção do amor próprio.Diante disso, aconselham o pediatra João Cândido Borges e a neuropediatra Liana Coelho, não custa nada os pais ficarem atentos a sintomas típicos de que algo não está bem, como irritabilidade, dificuldade na fala (gagueira), comportamento infantil já superado, choro sem motivo aparente, agressividade, tiques nervosos, isolamento, dores de cabeça freqüentes, insegurança, entre outros. Afinal, como bem lembra a psicóloga Alessandra: “A perfeição é uma impossibilidade humana”.

Fonte: Globo.com

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Estereótipo influi no sucesso e no fracasso, diz estudo

Um artigo publicado na edição deste mês da revista especializada Scientific American afirma que os estereótipos exercem grande influência sobre o sucesso ou o fracasso dos indivíduos. Segundo o artigo, assinado por pesquisadores britânicos, o fracasso no trabalho, na escola ou em esportes não se deve necessariamente à falta de talento ou incompetência, mas também à maneira como cada um percebe o grupo social ao qual pertence. Assim, por exemplo, mulheres asiáticas que fizeram testes de matemática obtiveram melhor desempenho ao serem lembradas de suas origens asiáticas (reforçando o estereótipo de que os asiáticos são melhores em matemática) que ao ter sua identidade feminina destacada (já que, segundo o estereótipo, mulheres são piores em matemática que os homens). Da mesma forma, atletas brancos tiveram pior desempenho em jogos de golfe quando foram informados de que teriam sua "capacidade atlética natural" comparada à de jogadores negros. Em compensação, o grupo melhorou ao acreditar que se tratava de um teste de "inteligência estratégica esportiva". Em outros experimentos, pessoas mais velhas tiveram rendimento pior em testes de memória após ser lembradas do estereótipo que as relaciona à capacidade cognitiva deteriorada.
Efeito positivo
Estudos anteriores tentaram vincular esta mudança de desempenho ao uso de áreas da memória que deixariam de ser utilizadas pelos indivíduos submetidos à ansiedade da "ameaça dos estereótipos". Entretanto, isto não explicaria por que os estereótipos também podem ajudar a elevar o rendimento de membros de grupos considerados 'os melhores' - neste caso, esta percepção não altera os recursos de memória disponíveis, disseram os pesquisadores. Para eles, a explicação é que "a ameaça dos estereótipos não é tanto uma questão de cognição em si, também de imagem pessoal e identidade". "Embora alguns pesquisadores tenham saltado para a conclusão altamente polêmica de que as diferenças de desempenho refletem diferenças naturais entre os grupos, na verdade a raiz de muitas diferenças repousa sobre os estereótipos, ou pré-conceitos, que outros têm em relação ao grupo a que pertencemos", diz o estudo. Ao mesmo tempo, o artigo afirmou que os estereótipos são flexíveis, e podem ser modificados para influenciar o desempenho dos indivíduos. "De muitas maneiras, temos um estereótipo do estereótipo, que é errada. Os estereótipos não são necessariamente ruins, podem inclusive ser ferramentas de progresso", disse o professor Stephen Reicher, da Universidade St Andrews, na Escócia. "Foi precisamente por desafiar estereótipos que ativistas como Steve Biko e Emmeline Pankhurst puderam alcançar a emancipação de negros sul-africanos e de mulheres britânicas. "Para os pesquisadores, os estudos em relação ao tema trazem "duas lições fundamentais". "A primeira é tomar cuidado para não confundir desempenho e capacidade, especialmente ao tratar de grupos diferentes entre si, e compreender a força que as expectativas dos outros exerce sobre o que fazemos", dizem os pesquisadores. "A segunda é perceber que não estamos fadados a ser vítimas de estereótipos opressivos, mas que podemos aprender a usar os estereótipos como ferramentas de nossa liberação."


Fonte: www.bbcbrasil.com.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Brincadeira ou Discriminação?

Brincadeiras nas escolas e universidades que constrangem as pessoas, como o “bullying”, pode levar as vítimas à depressão e até ao suicídio O termo bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outros, causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Ainda hoje, essas práticas são consideradas por muitos como ritos de passagem – e esperadas com certa ansiedade tanto por calouros quanto por seus parentes. Entretanto, aqueles que se dedicam ao estudo do tema concordam que se trata de um ritual de exclusão e não de integração. Deve ser considerado como um mecanismo de dominação fundamentado por discriminação, intolerância, violência e preconceitos de classe, etnia e gênero. O abuso de poder é sua marca principal. Em razão de atitudes agressivas e abusos psicológicos, sob a alegação de que se trata de “brincadeiras”, muitos estudantes se convertem em “bodes expiatórios” do grupo, desde a sua entrada no ensino superior até a sua conclusão e, em alguns casos, essa situação se estende na vida profissional. Os que se negam a participar da “interação” são sumariamente coagidos, intimidados, perseguidos ou mesmo isolados do convívio e das atividades dos demais.
Fonte: Site Viver Mente & Cérebro

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Psicologia ajuda tratamento de adolescentes diabéticos

Charles Nisz
Qual a diferença entre estar doente e ser doente? Para a psicóloga Yael Ballas, esse deve ser o principio orientador daqueles que tratam pacientes com doenças crônicas. Na sua tese de doutorado, que será defendida no Instituto de Psicologia (IP) da USP, Yael analisou o desenho da figura humana feito por adolescentes portadores de diabetes e por adolescentes saudáveis e notou diferenças na percepção que os diabéticos têm de si mesmos.O trabalho partiu da hipótese que adolescentes diabéticos apresentariam características singulares em seu esquema corporal, pelas implicações da doença, e teriam níveis de ansiedade mais altos do que os adolescentes sadios. Ao todo, foram avaliados 62 adolescentes com idades de 14 a 20 anos, da cidade de São Paulo. Eles mostraram poucas diferenças entre os desenhos, mas confirmam a hipótese e a validade do teste da figura humana enquanto método de avaliação psicológica. A psicóloga conta que apesar de não ser algo perceptível à primeira vista, o teste da figura humana mostrou que há diferenças na forma como o adolescente percebe a si mesmo enquanto portador de uma doença crônica. Isso é particularmente importante na adolescência - período de muitas transformações para qualquer indivíduo. A intenção de Yael é trabalhar conjuntamente com profissionais da área de saúde para propiciar um tratamento melhor para esses pacientes em todos os aspectos: médico, psicológico e educacional. Já em sua dissertação de mestrado, a pesquisadora estudou justamente como médicos do serviço público lidavam com portadores de diabete. EspecificidadesA diabete mellitus é uma doença popularmente conhecida pelo aumento do açúcar no sangue, sendo provocada pela deficiência de produção e/ou de ação da insulina, o que pode gerar complicações agudas e crônicas. A pesquisadora enfatiza a diferença entre ter uma doença e "ser doente". O primeiro é portador de uma doença e pode ter uma vida normal. Já o segundo é visto como alguém que não desenvolve todo seu potencial por causa da doença."Os adolescentes portadores de diabete podem ter uma vida bastante parecida com a dos seus pares saudáveis", diz Yael. "O erro é tratá-los como trataríamos pacientes com uma doença não-crônica", avalia. "O tratamento, segundo ela, deve ser contínuo e abordar todos os aspectos da vida: médico, alimentar, educacional e psicológico e não fazer apenas profilaxia (administrar remédios) quando o paciente tem uma crise em seus níveis de glicemia". Os métodos de avaliação usados foram: O Desenho da Figura Humana e o Inventário de Ansiedade Traço-Estado. O teste do Desenho da Figura Humana é um dos instrumentos psicológicos mais utilizados internacionalmente para avaliação do desenvolvimento cognitivo infantil. Proposto pela psicanalista americana Karen Machover em 1967, o método revela que, quando uma pessoa o realiza, os desenhos referem-se necessariamente às imagens internalizadas que ela tem de si mesma e dos outros. Dessa forma, ocorre a projeção de sua imagem corporal.
Fonte: www.saudeemmovimento.com.br